segunda-feira, 13 de junho de 2011

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Jovens confundem pesquisa com plágio

As crianças e jovens recorrem cada vez mais à Internet para fazerem os trabalhos escolares. Segundo Cristina Ponte, muitos estudantes pensam que fazer uma pesquisa é "escrever o tema no Google, ver o que aparece", fazer a impressão e entregar na escola, desconhecendo muitas vezes que estão a fazer um plágio.
A matéria, no entanto, não trata de outro lado dessa questão do plágio: a dificuldade das instituições em usar e entender as ferramentas que a internet oferece aos jovens.
Um caso retirado do recente livro Cognitive Surplus. Na Universidade Ryerson, Estados Unidos, um aluno criou uma comunidade no Facebook onde seus colegas poderiam discutir questões e trocar respostas dos trabalhos apresentados. A direção da universidade o bombardeou então com 147 acusações de plágio: uma por ter criado o grupo e uma por cada membro que teria copiado as respostas. O aluno se defendeu alegando que sempre existiu o costume de se reunir em pequenos grupos para discutir os trabalhos, e o Facebook apenas reproduzia esse espaço na internet. Os professores, por sua vez, diziam que era diferente: qualquer um podia chegar ao grupo online e apenas copiar as respostas. Para Shirky, o autor do livro, os dois estão errados: o exemplo mostra apenas como antigas instituições estão despreparadas para se adaptar a novidades. O Facebook é similar em muitos aspectos às antigas salas, mas diferente em vários outros. É uma situação nova, que joga os velhos costumes por água abaixo e força novos acordos entre alunos e professores.

Os novos tempos exigem novas formas de ensinar. O que se fez, por muito tempo, nas escolas é pedir uma "pesquisa" aos alunos que iam a uma biblioteca e copiam determinadas páginas de um livro. O valor educacional dessa prática sempre foi questionado. No entanto, com as facilidades ocasionadas pela internet, essa prática tornou-se sem sentido. Mas, como do veneno fazemos o antídoto, basta lembrar que podemos usar a tecnologia a nosso favor. Usar mecanismos de busca da internet para conseguir informações e depois montar mapas conceituais é exemplos de que a escola pode incorporar novas práticas para ensinar.
Atualmente, devido às inúmeras facilidades que a Internet e a informática proporcionam, nossos estudantes têm enorme facilidade de encontrar algum tema de pesquisa em um site de busca e simplesmente, sem a menor cerimônia, copiar e colar o texto, apresentando-o ao professor como sendo o resultado de sua pesquisa e do seu trabalho. Levando em conta que o nível educacional brasileiro vem caindo há décadas, esta suposta facilidade é mais um fator contributivo para a formação de uma juventude que não sabe ler, nem escrever, e muito menos pensar. 

É indispensável que, antes de terem acesso ao que há de mais avançado em termos tecnológicos (Computador, Vídeo Game, Celulares de última geração, etc.) nossas crianças e jovens adquirissem conhecimentos básicos e sólidos sobre Português, Matemática, História, entre outras disciplinas fundamentais à formação de um cidadão completo. Só assim estariam aptos a aliar, de forma criativa e producente, a cultura e o conhecimento às facilidades tecnológicas do mundo moderno.   
por Rafael Kenski  in Superinteressante

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