domingo, 3 de julho de 2011

Muita Coisa mudou




Ao olhar a janela posso ver i sol entrar, sinal que já é de manhã e está quase na hora de acordar.  Assim enquanto minha mãe faz o café fico ali só esperando ela dar algo para eu comer, e não demora muito meu irmão Bernardo desce e se junta na mesa para toma seu café.

Essa mesma cena repetiu-se ontem, mas acabou em lágrimas. Tudo por causa de um presente que minha mãe não poderia pagar. Era um Videogame que passava constantemente em um comercial de TV, pois era o lançamento do ano.
Como ele era muito birrento, ela quis acalmá-lo e o agradou mesmo sem condições financeiras. Os dois foram até a loja e o vendedor financiou o eletrônico em algumas prestações. Bernardo saiu na rua pulando de alegria, disse que ela a melhor mãe do mundo.

Mais às vezes a "melhor mãe do mundo" assusta-se com algumas atitudes do Bernardo, como ele adora o supermen um herói de desenho animado, um dia desse ele colocou sua capa vermelha achando que poderia ser o
Clark Kent, mais acabou quebrando o braço depois de pular de uma sacada, sorte que não era muito alta. Ele argumentou-se dizendo que poderia voar e conseguir pegar o gatinho da vizinha que estava em cima de uma árvore.  Ela brigou e conversou com ele dizendo que isso era fantasia de desenho, e ele não poderia voar. Ela e o fez jurar que essa cena nunca se repetiria novamente. Aos prantos Bernardo prometeu não pular. Depois ele só saia correndo pelo jardim com a sua capa vermelha e eu atrás pulando e correndo ao seu redor.

Quando a minha mãe deixava a gente ir ao parque, eu observava atentamente alguns daqueles pequenos seres humanos, alguns brincando de se balançar, pulando corda, subindo em árvores, outros chutando uma bola redonda e alguns até correndo atrás de outros humanos.  E notava a inocência e principalmente a simplicidade que aquelas brincadeiras proporcionavam mais acima de tudo o contato entre eles, a alegria, o sorriso, a conversa, a amizade e o relacionamento entre si.

Nos dias em que se passam meu irmão quase não sai mais de casa para brincar. Fica em seu quarto, no seu computador, no vídeo-game novo ou vendo TV.
Antes ele me levava para passear, ia até a praça, eu corria alegremente atrás dos pássaros e daquelas pequeninas coloridas, que dizem que se seu nome é borboleta, adorava quando as pequeninas pousavam no meu nariz molhado. Às vezes eu e Bernardo ficávamos na grama sentados olhando para todos aqueles humanos estranhos.

Mas hoje tudo é diferente, muita coisa mudou. Ele não sai mais comigo, nem me levar para fazer minhas necessidades. Fico triste, pois ele é meu único amigo, ele se preocupa mais com os jogos, com os eletrônicos e não com coisas reais, sentimento, carinho. Já fiz de tudo.  Tudo mesmo, rolei, pulei, fingi de morto, lati, rolei di novo, abanei meu rabinho, sorri, chorei, fiz coisas que quase nenhum animal faz andar só com duas patas para agradar seu dono, mais nada foi capaz de tirar sua atenção, pois estava muito ocupado vendo desenho e jogando.  Antes sempre que eu estava perto ele fazia carinho em minha orelhinhas, ou chamava “NUUPI?” e eu saia correndo e pulava no seu colo para ganhar mais carinho.  Mais a única coisa que faz agora quando me aproximo é bater o pé e falar:

__ Sai cachorro CHATO, TÔ muito ocupado agora!!!
E me expulsa do seu quarto batendo fortemente a porta, para eu não poder incomodar mais. Afinal querer, e pedir carinho para ele é incomodo. Sinto tanta falta do meu dono quando não tinha esses eletrônicos a sua disposição, pois não se preocupava com o irreal, fantasia, consumismo, adrenalina. E isto está virando um vicio. Sua companhia agora é mecânica, não provoca frustração, e não existe relacionamento. E eu sou diferente. Ele não se empolga em brincar comigo, pois não sou um aparelho que pode manipular, e com isso fica entediado facilmente.

Porém mesmo meu dono não me dando carinho e atenção, quando o vejo faço festa, pulo alegremente em suas pernas, abano meu rabinho, dou latidos de alegria, e olho como se tudo fosse normal, como se tudo fosse como antigamente, pois mesmo sem me dar atenção, e sair correndo para o quarto e brincar nos seus eletrônicos, ainda o amo.
Mamãe quer agradar tanto meu irmão que faz todas as suas vontades, não impõe regras e limites, ou estipula horários em jogos ou em frente a TV. Bernardo está tornando-se mimado, vê um mundo irreal, não consegue se defrontar com a realidade, e tem muitas frustrações. Isso pode fazer com que ele tenha dificuldades principalmente com as coisas que não vêm prontas, esperar para ele será um tormento. Ter relacionamento com as pessoas será um desafio, a timidez o englobara no seu próprio mundinho. Infelizmente Bernardo irá aprender com a escola da vida.  


Eu fico horrorizado, tenho medo, pois meu irmão está em uma geração de super inteligência, velocidade, facilidade, a tecnologia já faz parte do ser humano. O que era novo hoje amanhã não é mais. Coisas simples que eram divertidas fazia as pessoas se relacionarem talvez já não tenha mais graça. O que tem graça é o irreal, o que faz divertir sozinho sem ninguém por perto. E talvez eu possa ser um novo alvo, posso ser substituído por algo mais inteligente, veloz, não tão velho, não precise de alimento, levar para passear, que não fique doente, que não precise fazer suas necessidades, que não suje e principalmente não precise de carinho e atenção.  Um cachorro robô, que fará que eu seja esquecido, levado para outra família, ou até mesmo indo morar na rua.

Autora: Moniky Vieira Vasco
Assunto: Crônica

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O elefante e o circo


Todos temos limites, mas também temos condições de superá-los. Somos imperfeitos, mas temos capacidade de discernimento.
Vocês conhecem a história do elefante amarrado do circo? Esse relato fala sobre esse magnífico animal que faz impressionantes demonstrações de força e destreza para um público que aplaude entusiasmado as performances efetuadas.

Apesar do seu tamanho, o elefante mostra habilidades incríveis, mesmo com todo aquele corpo e peso. Mas, fora de cena, podemos observar que ele permanece quieto, quase imóvel, e somente está amarrado por uma corda a uma estaca no chão.

Ou seja, só um pedaço de madeira e uma simples corda evitam que esse gigante fuja. Mas, por que ele não foge? A resposta é simples. Desde bem pequeno, quase recém-nascido, ele é preso por uma corda numa das patas a uma estaca no chão.

No início, ele puxa para poder andar, mas não tem força para se soltar. Com certeza, em dias seguintes, ele continuará a forçar e forçar para escapar da situação e, mais uma vez,continuará preso.
A corda e a estaca são mais fortes do que o bebê elefante. Mas ele vai continuar a tentar e forçar e puxar até a exaustão e, um dia, cansado, ele aceitará seu destino: ficar amarrado à estaca.
Por incrível que pareça, esse gigante não vai conseguir se soltar, pois ele acredita que não pode. Simples e triste assim.Somente algum evento diferente, fora do comum, faria com que o elefante quebrasse a corda e se libertasse.

Existem situações durante as nossas vidas, geradas pelo nosso entorno, que se assemelham à história do elefante. 
Isso se aplica a todos os níveis, sociais, culturais e econômicos. Todos podemos estar amarrados a crenças que desvirtuam o nosso potencial. Desde nossos treinamentos, procuramos mostrar aos candidatos que a vida é uma questão de querer e não de poder.
Ensinamos a não comprar argumentos de medíocres, fracassados ou pessoas que precisam se autoafirmar, colocando os outros em níveis de inferioridade.
A própria sociedade, por inveja ou medo procura, instintivamente, desconsiderar quando lhes contamos de nossos sonhos e metas. Muitos aceitam as adversidades como impedimentos e não como formas de treinar e aprimorar suas capacidades.
Todos temos limites, mas também temos condições de superá-los. Somos imperfeitos, mas temos capacidade de discernimento. O que faz a diferença entre nosso sucesso ou fracasso é acreditar.
Imagine se o nosso querido elefante não tivesse parado de insistir. Em algum momento, ele estaria apto para fugir e ser dono de suas próprias decisões.

Colega, faça bom uso da oportunidade que está em suas mãos. Não desperdice a sua força só porque lembra que outras vezes não pode. Almeje com força e vai conseguir.

Cada dia somos mais sem amarras.

Por Miguel Goldberg
Não há corda que resista.